9 de junho de 2026
Um estudo clínico de fase 3, conduzido no Icesp, alcançou um dos maiores marcos da oncologia mundial recentemente. Os resultados de dez anos da pesquisa, que investigou o impacto da extensão da retirada de linfonodos na cirurgia de câncer de próstata, foram apresentados em uma sessão plenária na American Urological Association (AUA), realizada em Washington, nos Estados Unidos.
O estudo, que teve início em 2011, foi liderado pelo médico assistente do Grupo de Urologia Cirúrgica do Instituto, Dr. Jean Lestingi, e também foi tema da tese de doutorado do especialista. O levantamento acompanhou 300 pacientes com câncer de próstata de risco intermediário e alto. Eles foram divididos em dois grupos: um submetido à linfadenectomia limitada (remoção de poucos linfonodos) e outro à estendida (remoção de linfonodos em uma área mais ampla).
Os novos dados de longo prazo revelaram que, embora a técnica mais ampla não seja necessária para todos os casos, ela oferece benefícios duradouros para pacientes com tumores mais agressivos. Nesse subgrupo específico, a remoção estendida de linfonodos não apenas atrasou o retorno da doença, detectado pelo marcador PSA, como reduziu significativamente o risco do tumor se espalhar para outros órgãos após uma década de acompanhamento.
Um dos dados mais celebrados na apresentação em Washington foi o potencial da cirurgia em evitar tratamentos posteriores. Pacientes com tumores agressivos que passaram pela dissecção mais ampla precisaram de menos radioterapia e hormonioterapia complementar ao longo dos anos.
“Este estudo apoia uma abordagem cirúrgica mais personalizada. A remoção estendida pode não ser necessária para todos, mas para pacientes com câncer de alto grau, ela oferece uma proteção significativa a longo prazo”, destaca o Dr. Jean Lestingi.
A sessão na plenária foi classificada como uma “mudança de paradigma”. O objetivo agora é que esses dados inéditos ajudem a atualizar os guidelines médicos internacionais, garantindo que cirurgiões ao redor do mundo possam oferecer o tratamento mais adequado com base na agressividade do tumor de cada paciente.
Premiações
A pesquisa, apoiada pela FAPESP, recebeu importantes reconhecimentos nacionais e internacionais ao longo de seu desenvolvimento. Entre as premiações estão: o Prêmio Octavio Frias de Oliveira; o título de melhor tese da área da saúde da USP; a segunda melhor tese do Brasil pela CAPES, em 2021; e o prêmio de melhor trabalho de pesquisa clínica em literatura inglesa concedido pela Sociedade Europeia de Urologia.
Mais do que um reconhecimento científico, o destaque alcançado em um dos maiores congressos de urologia do mundo reforça o compromisso do Icesp com a inovação e a segurança do paciente. Ao identificar com precisão qual perfil de público realmente se beneficia de uma cirurgia mais extensa, o estudo promove uma assistência mais assertiva e focando na qualidade de vida dos pacientes da rede pública de saúde.