Pesquisadoras do Centro de Investigação Translacional em Oncologia (CTO) do Icesp conduziram um estudo inovador que utiliza a nanotecnologia para o tratamento do melanoma, tipo mais agressivo do câncer de pele.
Realizado pela biotecnóloga Natália Leal Dovaizem, durante o seu doutorado com supervisão da bióloga e pesquisadora do CTO do Icesp Dra. Luciana Nogueira de Sousa Andrade, o trabalho foi publicado no primeiro semestre de 2026 na revista científica ACS Nano Medicine e a tecnologia está em processo de registro de patente.
No projeto, realizado em parceria com a Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, a equipe do Icesp desenvolveu vesículas extracelulares (VEs) miméticas capazes de “entregar” às células tumorais moléculas de RNA que sensibilizam as células ao tratamento, poupando assim as células saudáveis e diminuindo consideravelmente efeitos adversos comumente observados nos tratamentos utilizados.
As vesículas extracelulares são partículas liberadas pelas células e atuam como mensageiras na comunicação entre elas, também auxiliam no transporte de moléculas como proteínas e informações genéticas. O câncer utiliza-se deste sistema para crescer e até mesmo se tornar resistente ao tratamento.
As vesículas miméticas desenvolvidas no estudo são uma versão sintética, aprimorada, possibilitando o maior controle desta comunicação de modo que as VEs possam carregar uma mensagem antitumoral específica produzida em laboratório. Dessa forma, os cientistas agora inseriram, na superfície dessas nanoestruturas, moléculas que aumentam a captação dessas VEs pelas células do melanoma, indo preferencialmente para as células cancerígenas, ao invés das saudáveis.
“Nosso objetivo inicial foi investigar maneiras de tornar o melanoma em estádio avançado mais sensível à radioterapia, que costuma ter um efeito mais paliativo. Desse modo, buscamos identificar mecanismos para deixar mais vulnerável as células cancerígenas, sensibilizando o tumor para que os tratamentos existentes possam ser ainda mais eficientes, melhorando assim a resposta terapêutica e, consequentemente, a qualidade de vida do paciente”, explica a Dra. Luciana Nogueira de Sousa Andrade.
No momento, a pesquisa encontra-se em fase de testes em laboratório. Para validar o uso da tecnologia estão sendo utilizados organóides tumorais, além do cultivo de células cancerígenas em estruturas 3D que mimetizam o microambiente do tumor original, contribuindo para que a vesícula engenheirada funcione especificamente para deixar os tumores mais responsivos a radioterapia.
O estudo representa um avanço tecnológico para o tratamento do melanoma e, posteriormente, a equipe pretende incluir testes em outros tipos de câncer, como o de mama, pulmão e pâncreas.