25 de agosto de 2026
No dia 12 de agosto, o Icesp promoveu a 17ª edição do Prêmio Octavio Frias de Oliveira. Em parceria com o Grupo Folha, a premiação anual visa estimular a pesquisa científica e reconhecer as contribuições relevantes para o avanço no diagnóstico e tratamento do câncer. A iniciativa também valoriza trajetórias e legados que ajudam a transformar a Oncologia brasileira, contemplados em três categorias: Inovação Tecnológica, Pesquisa e Personalidade de Destaque.
O evento foi conduzido e iniciado pela repórter da Folha de S. Paulo Cláudia Collucci e a abertura contou com falas do presidente do Conselho Diretor do Icesp, Prof. Dr. William Nahas; do secretário de redação da Folha de S. Paulo, Vinicius Mota; e do diretor técnico da Divisão de Oncologia do Icesp, Prof. Dr. Paulo Hoff. Além deles, outras autoridades também estiveram presentes na premiação, como o superintendente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Adriano Guimarães Ferreira; o coordenador do Centro de Investigação Translacional em Oncologia (CTO) do Icesp, Prof. Dr. Roger Chammas; o diretor executivo do Icesp, Dr. Arthur Violante Sapia; e a diretora de Corpo Clínico do Icesp, Profa. Dra. Maria Del Pilar Estevez Diz.
“Me sinto feliz em abrir este prêmio, que busca destacar algumas das grandes características do Icesp, como a produção científica e o ensino. Essa parceria, antiga e muito bem-sucedida, é fundamental para identificar áreas de interesse da Oncologia, levar informação, incentivar a inovação e ampliar o conhecimento, uma das grandes vertentes e principais missões da nossa instituição”, comenta o Prof. Dr. William Nahas.
O Prof. Dr. Paulo Hoff relembrou a criação da láurea e ressaltou que a trajetória da premiação também é motivo de celebração. “É uma honra poder participar deste evento pelos últimos 17 anos e ver um projeto que surgiu de uma conversa quase informal se tornar um prêmio tão importante na Oncologia nacional”, afirma.
Vencedores do XVII Prêmio Octavio Frias de Oliveira
Na categoria Inovação Tecnológica em Oncologia, o vencedor foi o estudo “Nose-to-Brain Delivery of Biomimetic Nanoparticles for Glioblastoma Targeted Therapy”, representado por Natália Noronha Ferreira, pesquisadora associada do Instituto de Física da USP e autora principal da pesquisa. Publicado em 2024 na revista científica Applied Materials & Interfaces, da Sociedade Americana de Química, o trabalho também contou com participação de pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), Hospital de Amor de Barretos, Hasselt University, na Bélgica, e da Universidade do Minho, em Portugal.
Eles desenvolveram uma nanopartícula para o tratamento do glioblastoma administrada por via nasal, estratégia que busca contornar a barreira hematoencefálica, uma proteção natural do cérebro que dificulta a chegada de medicamentos ao órgão, facilitando a ação do tratamento diretamente no local. Natália explicou que a tecnologia mimetiza características das células tumorais para facilitar a entrega do medicamento. “Criamos uma espécie de cavalo de Troia, em que a célula do tumor consegue reconhecer essa partícula como se fosse parte dela. A estratégia pode aumentar a ação da quimioterapia e reduzir a necessidade de doses elevadas do medicamento, contribuindo para diminuir seus efeitos adversos”.
Na categoria Pesquisa em Oncologia, o trabalho premiado foi “High mtDNA content identifies oxidative phosphorylation-driven acute myeloid leukemias and represents a therapeutic vulnerability”, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Na cerimônia, foi representado por Juan Coelho-Silva, um dos autores do estudo e pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. A pesquisa investigou o conteúdo de DNA mitocondrial como biomarcador na leucemia mieloide aguda (LMA), capaz de identificar, já no momento do diagnóstico, pacientes com maior risco de recidiva.
“Nosso teste identifica precocemente pacientes que têm maior chance de recidiva. Observamos que o aumento da função mitocondrial nessas células representa uma vulnerabilidade que pode ser tratada com a metformina, um medicamento barato já em uso para diabetes, capaz de amplificar o efeito da quimioterapia padrão”, explica Juan.
A pesquisa foi publicada em 2025 na revista científica Signal Transduction and Targeted Therapy, do grupo Springer Nature. Além da UFPE e da USP, participaram do estudo a Unicamp, a Universidade de Groningen, na Holanda, o King’s College London, no Reino Unido, e o De Duve Institute, na Bélgica.
Por fim, na categoria Personalidade de Destaque em Oncologia, a vencedora foi a Profa. Dra. Luisa Lina Villa, chefe do Laboratório de Inovação em Câncer do Centro de Investigação Translacional em Oncologia (CTO) do Icesp, em reconhecimento aos mais de 40 anos de dedicação à pesquisa sobre o HPV e ao desenvolvimento de vacinas. “Recebo esse prêmio em nome de todos aqueles que caminharam ao meu lado. Colegas, alunos, pesquisadores, profissionais de saúde e colaboradores no Brasil e no exterior, que diariamente dedicam seu talento e sua determinação de ampliar o conhecimento sobre tumores e como preveni-los”, finaliza a Profa. Dra. Luísa Lina Villa.