6 de abril de 2026
O estudo “Self-sampling for HPV genotyping: a study of vaginal and urine collection in Brazilian women with high-grade lesions”, (Autocoleta para genotipagem do HPV: um estudo de coleta vaginal e de urina em mulheres brasileiras com lesões de alto grau, em tradução livre), liderado pela pesquisadora do Centro de Investigação Translacional em Oncologia (CTO) do Icesp, Dra. Lara Termini, demonstrou resultados promissores acerca da autocoleta de urina e de amostras vaginais como métodos confiáveis no rastreamento do câncer do colo do útero.
Ao todo, 100 mulheres diagnosticadas com lesões cervicais de alto grau (NIC2+) participaram da pesquisa. Elas foram encaminhadas ao Hospital das Clínicas da FMUSP para a realização de colposcopia (exame ginecológico que permite observar detalhadamente e avaliar com mais precisão o colo do útero, a vagina e a vulva), devido a anormalidades detectadas no Papanicolau ou em biópsia.
Com o objetivo de investigar a equivalência entre os resultados das amostras do teste molecular de HPV de alto risco coletadas pelas próprias pacientes e aquelas obtidas por profissionais de saúde, o estudo demonstrou que as metodologias de autocoleta apresentaram desempenho muito semelhante ao da coleta profissional na detecção e tipagem de HPV de alto risco, incluindo o HPV16. Observou-se, ainda, alta aceitabilidade geral dos métodos quando comparados ao exame ginecológico convencional.
A adoção de dispositivos como esse pode auxiliar no rastreamento do câncer do colo do útero pela redução de barreiras físicas, emocionais, culturais e logísticas associadas ao exame ginecológico tradicional. Além disso, métodos menos invasivos aumentam a autonomia, a privacidade e a adesão.
“Os achados deste estudo demonstram que a coleta de urina com dispositivo específico e a autocoleta vaginal são métodos viáveis, bem aceitos e clinicamente confiáveis para a detecção e tipagem do HPV, apresentando concordância muito semelhante à coleta realizada por profissionais de saúde. A elevada aceitabilidade, associada ao uso de vídeo educacional instrucional, reforça o potencial da autocoleta como uma estratégia eficaz, escalável e mais inclusiva, capaz de ampliar o rastreamento, favorecer a detecção precoce e impactar positivamente o tratamento e a redução da mortalidade por câncer do colo do útero”, explica a Dra. Lara Termini.
A pesquisa foi realizada em parceria com a USP e recentemente foi publicada no periódico Clinics. Para mais informações, acesse o link e leia o artigo completo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40966831/