O Icesp promoveu um encontro inédito para debater a experiência do paciente e toda sua jornada ao longo do tratamento, junto à importância de uma cultura assistencial ética e humanizada, em um simpósio internacional, nos dias 6 e 7 de outubro.

O evento, que teve como fio-condutor a história da paciente Nathália Azevedo, que fez tratamento no Instituto entre os anos de 2010 e 2014, trouxe à tona a temática “um novo olhar sobre o paciente”, destacando aspectos relevantes em gestão organizacional, debatendo como o sistema de saúde está se adequando para garantir assistência humanizada, e o uso de novas tecnologias, que chegam para oferecer mais autonomia aos pacientes e familiares.

“Para falar sobre a experiência do paciente, nada melhor do que conduzir esse encontro pelos olhos e história de uma das nossas pacientes. Quando vimos o quadro da Nathália pendurado na parede da nossa sala na Humanização, com a representação de cada profissional que fez parte da história dela aqui dentro, entendemos que estava ali tudo que queríamos discutir”, explicou Maria Helena Sponton, gerente de Humanização do Icesp.

Segundo a gerente, a ideia do Simpósio era de propor uma reflexão sobre como ajudar o paciente, como empoderá-lo e promover um cuidado mais humano. “Entendemos que o paciente deve ser empoderado para se tornar um agente participativo, corresponsável por seu tratamento e com autonomia para exigir empatia e solidariedade dos profissionais que atuam em seu cuidado”. 

Experiência do público

Para discutir a experiência do paciente, o Simpósio foi organizado de forma maestral para proporcionar uma experiência diferenciada para o público.

Na chegada, os participantes foram recepcionados por um coffee com música ao vivo. O responsável pelos belos acordes era Samuel Cardoso dos Santos, paciente do Instituto e músico de primeira. 

Num clima leve e descontraído, no horário marcado, cada uma das mais de 150 pessoas que lotaram o auditório do Icesp foi conduzida ao local passando por uma bela exposição de quadros produzidos pelos colaboradores do hospital nas oficinas de sensibilização artística ministradas pela artista plástica, Enice Fava. 

As telas abriam caminho para a grande obra da noite: o quadro “Hospital do Amor”, pintado por Nathália, exposto no palco. 

As boas-vindas aos presentes foram dadas por Maria Helena, que explicou sobre o processo de idealização do evento. “Criamos esse simpósio pensando em ir além dos conceitos teóricos, nós queremos aprender, na prática, a dialogar melhor e também a aprimorar o acompanhamento desses indicadores que nos mostram a eficiência do serviço ao longo da jornada individual de cada paciente. O objetivo é debater o protagonismo dessas pessoas, que apesar de dividirem o mesmo ambiente hospitalar, são únicas, com suas histórias de vida, dificuldades e propósitos, lembrando que eles são o centro do nosso cuidado e também desse evento”, comentou.

Em seguida, Regina Azevedo (mãe de Nathália) e uma de suas tias, que vieram acompanhadas de quase 30 familiares e amigos da jovem, tomaram a palavra para contar a todos as vivências da paciente, seus ensinamentos, sua motivação e sua coragem, lendo uma carta escrita pela própria Nathália e exibindo um vídeo-retrospectiva, ao som da música “Trem Bala”, de Ana Vilela.

A diretora executiva do Icesp, Joyce Chacon foi ao palco para abrir o evento e, na sequência, o diretor geral da Fundação Faculdade de Medicina, Prof. Flávio Fava de Moraes, enalteceu a qualidade do atendimento prestado pelo hospital, claramente vinculada, segundo ele, ao exemplar exercício das atividades de cada profissional, e salientou a importância da interação do público no evento. 

“Desejo que todos aqui tenham o máximo de aproveitamento, que sejam críticos para podermos aprender juntos. Afinal, o melhor professor é sempre o melhor aluno”, concluiu Fava, sob muitos aplausos. 

A noite terminou com a palestra magna “Como o Sistema de Saúde está se adequando para um novo olhar centrado no paciente”, conduzida por Marcelo Alvarenga, médico gerente da Experiência do Paciente no Hospital Sírio Libanês. 

Segundo dia

Já no segundo dia de encontro, aliado às perspectivas internacionais, o Simpósio contou com a participação do médico Rodrigo Bornhausen Demarch, da Universidade de Stanford, que atua no centro de bioengenharia (Byers Center for Biodesign), na Califórnia, voltado para a criação de tecnologia de cuidados de saúde. O especialista falou sobre design thinking (processo de pensamento crítico e criativo com foco em inovação) e comportamento saudável. Diretamente de Madri, via transmissão ao vivo, o especialista Carlos Bezos Daleske, diretor do Instituto de Experiência do Paciente, na Espanha, compartilhou sua experiência sobre a jornada do paciente, que envolve qualidade, segurança, o próprio desfecho clínico e sua satisfação, que deve ser acompanhada de perto e medida por indicadores institucionais.

O Simpósio Internacional de Experiência do Paciente, abrigou, ainda, o III Simpósio de Humanização do Icesp, trazendo pacientes em mesas redondas sobre storytelling (contação de narrativas) e o poder da história pelos olhos do paciente. 

 

Abriram o coração e suas histórias a paciente Gislene Charaba, ex miss e modelo, em tratamento contra o câncer de mama desde 2016, o empresário Márcio Natividade, que foi diagnosticado com câncer de próstata há seis anos, em uma consulta de rotina, e Mônica Chiariello, todos pacientes do Icesp. 

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