Preparado para o enfrentamento da COVID-19, o Instituto do Câncer de SP tem estabelecido uma série de ações para proteger pacientes e colaboradores, e manter a qualidade na assistência

A segurança e o bem-estar dos pacientes sempre foram pontos substanciais de dedicação em todas as práticas do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Em cenários de maior risco as condutas são ainda mais firmes, principalmente porque o hospital acolhe milhares de pessoas com a imunidade fragilizada devido ao câncer.

O controle rígido tem sido feito antes mesmo da primeira notificação de infecção pelo novo coronavírus no país. Em janeiro deste ano, quando os casos ainda estavam concentrados em Wuhan, na China, aconteceu a primeira reunião no Instituto do Câncer para entender e discutir o tema.

Prevendo a possibilidade de ocorrências de casos em outros países e no Brasil, a diretoria da Instituição se antecipou, ainda em janeiro, e ativou o Comitê de Agravos Inusitados à Saúde para traçar mecanismos internos iniciais. 

“O Comitê é composto por representantes de áreas estratégicas técnicas e operacionais, e atua em situações nas quais são identificadas possíveis ameaças. Nesse contexto, desempenhou um papel importante também na epidemia do H1N1 e no surto de sarampo”, afirma o Prof. Dr. Edson Abdala, infectologista e presidente do Comitê e da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Instituto do Câncer.

Para o enfrentamento da COVID-19 foi definida uma série de medidas de proteção e segurança aos pacientes, acompanhantes e colaboradores, com alinhamento às diretrizes do Complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, visando minimizar os efeitos da pandemia. 

De acordo com a diretora executiva do Instituto do Câncer, Joyce Chacon Fernandes, o Icesp teve uma preocupação em antecipar ao máximo as ações contra o coronavírus. “Essa corrida foi fundamental justamente por ser um hospital que está num contexto de fragilidade por atender pacientes de risco”, explica.

Para isso, foram formados vários grupos de trabalho com reuniões diárias, pois são necessárias respostas imediatas. “É preciso continuamente ajustar as dinâmicas e atualizar as condutas para nos adequarmos a essa nova realidade”, diz a Profa. Dra. Maria Del Pilar Estevez Diz, diretora de Corpo Clínico e coordenadora da Oncologia Clínica.

Proteção ao paciente 

O primeiro desafio foi de controlar o volume de 10 mil pessoas por dia entrando no prédio, das quais grande parte são pacientes vulneráveis. Diante disso, foi implementada uma triagem na entrada principal do Instituto, onde uma equipe verifica se há pessoas com possíveis sintomas e orienta acompanhantes e visitantes sintomáticos a não entrarem.

De acordo com o Prof. Edson Abdala, o foco das medidas adotadas é principalmente identificar possíveis casos de infecção, dando o direcionamento adequado a elas, e diminuir ao máximo a circulação de pessoas. Quem é identificado com possível sintoma é encaminhado ao Ambulatório de Agravos, criado justamente para separar os pacientes que podem estar infectados.

“Desde o início, preocupado com a questão da transmissibilidade, houve a atenção do Instituto em estruturar áreas específicas para isolar pacientes com suspeita, tanto para o ambulatório como para a internação. Mais ainda, foi criado um fluxo interno totalmente diferenciado de transporte, equipe e logística para cuidar separadamente desse paciente”, informa a Profa. Pilar. Segundo ela, protocolos de tratamento foram adequados e estão sendo feitos reagendamentos de consultas dos pacientes que não estão em tratamento oncológico ativo ou daqueles que estão em situação bastante estável. 

Outra medida foi definir, na maioria dos casos, atendimento à distância por telemedicina. Os pacientes são informados previamente por SMS e, na data e horário agendados, o médico entra em contato via telefone. Em abril foram feitas 5,5 mil consultas à distância. “Nas consultas telefônicas, ter um médico ligando para o paciente perguntando como ele está, em um momento em que há o medo de sair de casa, é muito reconfortante e inclusive reduziu o absenteísmo”, ressalta a diretora executiva Joyce Chacon Fernandes. 

Para diminuir ainda mais a circulação de pessoas no prédio e também promover a segurança dos familiares e acompanhantes dos pacientes internados, a equipe médica passou a comunicar os boletins informativos por telefone. Além disso, o serviço de agendamento de consultas foi ampliado para um contato ativo do Instituto com os pacientes. Os profissionais ligam para marcar as consultas, perguntam como o paciente está se sentindo e acabam criando assim mais uma conexão de interação.

Consulta virtual

Uma das principais ações para evitar deslocamentos de pacientes ao instituto neste período é a realização de assistência à distância, nos casos em que existe essa possibilidade. No dia da consulta agendada, o médico liga e o atendimento é feito com conforto e segurança para quem mais precisa: os pacientes. E essa solução tem sido aprovada por eles.

“A equipe me ligou para avisar que a consulta seria remota, e também recebi uma mensagem com o agendamento, o que foi muito útil para lembrar a data. No momento não estou fazendo quimioterapia, então não tenho tanta necessidade de ir presencialmente ao Instituto. Além de ser muito bem atendida, foi muito interessante poder fazer a consulta sem sair de casa. Essa é uma excelente maneira de evitar a circulação nas ruas e de preservar a minha saúde e das outras pessoas.” Florisdete Clarismundo Lisboa, 44 anos.

“O atendimento é como se eu estivesse no consultório, o médico tem meus exames e histórico e se preocupa em todos os detalhes. Foi dada a opção de escolher se eu preferia a consulta presencial ou se poderia ser por telefone, mas neste momento complicado acho importante ir só quem precisa mesmo, para fazer exame, quimioterapia, radioterapia etc. Com essa alternativa não ficamos tão expostos e ajuda a proteger todos, desde os pacientes até os médicos e colaboradores.”  Luana Salvador, 34 anos

Segurança do colaborador

Durante o período de pandemia, os eventos do Instituto do Câncer foram cancelados e grande parte das reuniões tem sido realizada virtualmente, assim como atividades de ensino, tais como os treinamentos, práticas de graduação e extensão. Os profissionais são atualizados constantemente por ferramentas digitais sobre as condutas e medidas de segurança e podem acessar as informações no servidor interno do Instituto.

Grandes aliados no combate do coronavírus, os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) tiveram novos critérios definidos para uso e duração. Junto a isso, a gestão de compras de itens foi reforçada em uma dinâmica constante com fornecedores.“Todas as estratégias emergenciais foram implantadas para conseguirmos um ritmo intenso de compras, estoque, logística e manutenção dos itens”, pontua Joyce. 

A Campanha de Higienização das Mãos foi reforçada, e 580 novos dispensadores de álcool em gel foram instalados no prédio, totalizando hoje aproximadamente 1,6 mil. Além disso, a Campanha de Vacinação contra a Influenza imunizou milhares de colaboradores do Instituto por meio de três postos volantes para evitar filas e aglomeração. “Caso algum profissional apresente sintoma, é direcionado ao CeAC – Centro de Acompanhamento ao Colaborador do HCFMUSP, onde é atendido para avaliação, teste e, se necessário, é afastado conforme orientação médica”, enfatiza o Prof. Edson Abdala.

Equilíbrio na assistência

O principal propósito das ações do Instituto tem sido alcançado, que é o de manter a continuidade de todos os tratamentos oncológicos com qualidade, ao mesmo tempo em que é reduzido o fluxo de pessoas circulando. “Temos obtido resultados satisfatórios a partir das medidas implantadas, e isso é possível graças ao compromisso de todos os profissionais, que neste período difícil estão trabalhando incansavelmente no enfrentamento da Covid-19”, agradece a diretora-executiva do Instituto do Câncer.

A otimização dos recursos e agilidade para apresentar soluções são impactos positivos causados por esta nova fase, segundo Profa. Pilar. “Tenho certeza de que uma série de protocolos que adotamos hoje, de racionalização, otimização, agilidade e segurança vão ser continuados de alguma forma no futuro. Passada essa grave crise, há grande chance de prestarmos ainda melhor o nosso serviço, pois tem sido um aprendizado diário, e muitas dessas medidas poderão ser incorporadas e reproduzidas permanentemente”, acredita a diretora de Corpo Clínico.

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