Conduzido por representantes da Reabilitação e da Psicologia, desde o final de 2013, o ambulatório de Reabilitação Pélvica do Icesp foi inicialmente criado para cuidar de mulheres que passavam por radio ou braquiterapia em decorrência de tumores ginecológicos, após a identificação dessas necessidades, por parte da Dra. Heloísa Andrade de Carvalho, da Radioterapia. 

“No começo, o objetivo era muito específico, por conta da alta probabilidade de essas pacientes desenvolverem uma estenose vaginal”, relembra a fisioterapeuta Juliana Kurosaka, responsável pelos atendimentos no ambulatório.

A estenose vaginal é um estreitamento anormal do canal vaginal ou o encurtamento da vagina, que, a depender do grau – é possível que ocorra um fechamento total do canal – impossibilita a realização de exames ginecológicos, fundamentais para todas as mulheres, sobretudo para àquelas que estão em tratamento de tumores nessa região. 

Esse estreitamento, no entanto, não se dá necessariamente durante o tratamento radioterápico ou braquiterápico, podendo ser uma espécie de “sequela futura”, por isso, o ambulatório veio para atuar não somente nas pacientes que já apresentavam esse quadro, mas também de forma preventiva.

Apesar de uma prevalência desse quadro no atendimento, com o passar do tempo, o olhar da equipe foi se tornando mais amplo, observando-se a necessidade do desdobramento desses atendimentos de Reabilitação Pélvica a outros pacientes.

“Hoje, quatro anos e meio depois, atendemos pacientes com as mais diversas queixas ginecológicas, e seguimos com um apoio muito grande dos médicos da Radioterapia, Oncologia Clínica e Ginecologia”, comenta a fisioterapeuta.

Dentre as queixas atendidas no ambulatório, estão: dificuldade ou impossibilidade de penetração na vagina durante exame ginecológico ou no ato sexual (vaginismo) relacionado ou não ao tratamento oncológico; relatos de dor ou dificuldade durante o ato sexual com seus parceiros ou parceiras; ressecamento de mucosa vaginal, decorrente da radiação e da própria quimioterapia; fantasias, medos ou ausência de desejo; além da própria estenose vaginal, que deu start no ambulatório. 

“O nosso principal propósito é habilitar essas pacientes para o acompanhamento médico ginecológico e a retomada da vida sexual, mas não há como dissociar o nosso trabalho de outras questões, pois a região pélvica carrega muitos significados: de reprodução, de prazer, de fertilidade, de feminilidade, atrelados a histórias e experiências de cada mulher”, destaca Juliana Tonaki, psicóloga que acompanha as pacientes no ambulatório. 

Para a psicóloga, é exatamente devido a todos esses significados que só é possível auxiliar essas mulheres se o cuidado for feito de uma forma integral, a fim de poder validar o que essa paciente quer e dar a ela mais autonomia sobre o seu corpo e desejos. 

“Precisamos, acima de tudo, que a paciente concorde com a importância do nosso trabalho, que sinta que aquilo faz sentido para ela, é a partir daí que vamos alcançar os objetivos, entendendo e respeitando a singularidade da mulher”.

Sobre os atendimentos

O ambulatório de Reabilitação Pélvica recebe pacientes que tenham queixas ginecológicas e sejam encaminhadas por seus médicos. O público do serviço é composto somente por mulheres.

Após encaminhada, a paciente participa de um primeiro atendimento em grupo, onde toma conhecimento dos objetivos dos atendimentos, da rotina proposta, além de conhecerem as profissionais que passarão a acompanhá-las.

Em seguida, essas pacientes começam a ser atendidas individualmente. Assim, nas próximas ocasiões, ela passará sempre por uma sessão de fisioterapia seguida de um atendimento psicológico.

“Nossos encontros acontecem semanalmente e têm duração de 12 semanas, lembrando que a orientação é que, ao longo desse período, ela também realize exercícios no seu ambiente doméstico. Depois dessa etapa, a indicação é que essa paciente continue os exercícios por mais três meses em casa e retorne para avaliação”, explica a fisioterapeuta.

O ambulatório atende, hoje, pacientes com uma faixa etária entre 26 e 86 anos. Atualmente, são 50 pacientes ativas, passando por essa primeira etapa, realizada uma vez por semana dentro do hospital. 

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