No último dia 27 de julho, quem passou pela estação da Luz da CPTM se deparou com uma “blitz” contra o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. O público teve a oportunidade de realizar, gratuitamente, uma avaliação da saúde bucal, testes para medição do nível de consumo de álcool e também um “bafômetro” do cigarro, como é popularmente chamado o exame de monoximetria.

A campanha “Blitz do Bem: sinal verde para a prevenção” é uma iniciativa do ICESP em parceria com o Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), em prol do movimento "Julho Verde", que visa à conscientização e o combate do câncer de cabeça e pescoço, como os tumores que se desenvolvem na boca, língua, laringe, faringe e tireóide, por exemplo, e afetam diretamente as funções de fala, deglutição, respiração, paladar e olfato.

Um estudo realizado pelo ICESP recentemente apontou que 80% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço atendidos no hospital são ou já foram tabagistas. Quando se trata do etilismo (consumo excessivo de álcool), os números representam 50% do público. De acordo com especialistas, o consumo das duas drogas juntas pode aumentar em 20 vezes as chances de uma pessoa desenvolver esse tipo de tumor.

Entre os sintomas mais frequentes estão manchas brancas na boca, dor, lesão com sangramento de cicatrização demorada, nódulos no pescoço presentes por mais de duas semanas, mudanças na voz ou rouquidão persistente e dificuldade para engolir.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, em 2015, o número de novos casos deve ser superior a 19 mil. Apesar dos índices elevados, o potencial de prevenção da doença é alto, devido a sua relação inerente com o tabagismo e o etilismo. Medidas simples como não fumar e nem consumir bebidas alcoólicas em excesso, ajudam a evitar o desenvolvimento dos tumores. Além disso, nos últimos anos também tem crescido a incidência da doença por HPV, que pode ser prevenido com a prática de sexo seguro.

“É fundamental incentivarmos o cuidado e a atenção à saúde. O diagnóstico precoce é sem dúvida um dos nossos aliados. Detectadas na fase inicial, as neoplasias apresentam até 80% de chances de cura”, comenta o médico Marco Aurélio Kulcsar, coordenador do grupo cirúrgico de Cabeça e Pescoço do ICESP.

 

Cantando pela prevenção

Ainda no dia 27, às 9 horas, o hall de entrada do Instituto foi palco de uma ação inusitada: 30 pacientes submetidos à cirurgia de retirada da laringe, por conta de câncer na região das cordas vocais, se apresentaram junto à equipe médica e de fonoaudiologia cantando “Trem das Onze”, composição de Adoniran Barbosa eternizada pelo grupo Demônios da Garoa.

Os pacientes (re) aprenderam a se comunicar utilizando a “voz do esôfago”, que substitui a voz laríngea usando a via digestiva para produzir sons, com acompanhamento de fonoaudiólogos e demais profissionais da equipe multiprofissional do hospital.

 

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